Estudo de seis anos revela que tucunaré-açu pode viver mais de uma década e migrar por longas distâncias
Com mais de 3.000 peixes marcados no Rio Marié, o Temensis Tagging Project traz dados inéditos sobre o crescimento e o comportamento do gigante da Amazônia.
Por Redação Pescaverso · 17/07/2026 · Rio Marié, AM · 2 min de leitura

O Temensis Tagging Project, maior estudo de marcação e recaptura do tucunaré-açu (Cichla temensis) já realizado, completou seis anos com mais de 3.000 peixes monitorados no Rio Marié, no Amazonas. Segundo dados divulgados pela IGFA (International Game Fish Association), a pesquisa revelou que os grandes exemplares da espécie são muito mais velhos do que se imaginava, podendo passar de uma década de vida, além de realizarem migrações surpreendentes de mais de 100 quilômetros pelos rios amazônicos.
Iniciado em 2019 por meio de uma parceria entre comunidades indígenas locais, guias do Rio Marié, a operadora Untamed Angling e o IBAMA, o projeto ajuda a decifrar a biologia desse predador. Os dados coletados apontam que o tucunaré-açu ganha entre 3 e 4 gramas por dia, o que equivale a cerca de 1 kg a 1,5 kg por ano. O crescimento em comprimento é rápido na fase juvenil, cerca de 10 centímetros por ano até atingir 76 centímetros. Depois disso, o ritmo cai para apenas 4 centímetros anuais, indicando que um troféu de 88 a 90 centímetros tem entre 10 e 12 anos de idade.
O estudo também trouxe provas robustas sobre a eficiência do pesque e solte. Durante a temporada de 2023-2024, um mesmo tucunaré foi capturado e solto quatro vezes em um intervalo de apenas 31 dias, mantendo o comportamento ativo de alimentação. De acordo com os pesquisadores, isso demonstra que o manejo correto garante uma taxa de sobrevivência extremamente alta para a espécie.
Migrações recordes e comportamento de casal
Embora a maioria dos peixes permaneça em áreas restritas, o projeto registrou deslocamentos impressionantes. Em 2024, um tucunaré foi recapturado a 75 quilômetros de distância do ponto onde havia sido marcado dois anos antes. Esse recorde foi quebrado em 2025, quando um exemplar marcado em 2023 foi localizado a 117 quilômetros rio acima, a maior distância já registrada para qualquer espécie de tucunaré no mundo.
Outra descoberta fascinante ocorreu em agosto de 2025, quando um casal de tucunarés-açu foi marcado junto pelo representante da IGFA, Rodrigo Salles, e sua esposa, Pamela. Dois meses depois, o mesmo casal foi recapturado protegendo seus filhotes a 28 quilômetros de distância do ponto inicial, evidenciando que os parceiros podem migrar juntos para estabelecer novos ninhos durante o período reprodutivo.
Fonte (traduzida do inglês)
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